terça-feira, 1 de janeiro de 2013
sábado, 22 de dezembro de 2012
Boas Festas...
Acho que vocês observaram que o blog deu uma parada, na verdade, a culpa foi dessa vida corrida de universitárias em final de curso. Prometemos que durante as férias nos organizaremos melhor e voltamos em 2013 com tudo.
FELIZ NATAL E PRÓSPERO 2013!
Fiquem com Deus!
FELIZ NATAL E PRÓSPERO 2013!
Fiquem com Deus!
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Cora Coralina, quem é você? (Cora Coralina)
Sou mulher como outra qualquer.
Venho do século passado
e trago comigo todas as idades.
Nasci numa rebaixa de serra
Entre serras e morros.
“Longe de todos os lugares”.
Numa cidade de onde levaram
o ouro e deixaram as pedras.
Junto a estas decorreram
a minha infância e adolescência.
Aos meus anseios respondiam
as escarpas agrestes.
E eu fechada dentro
da imensa serrania
que se azulava na distância
longínqua.
Numa ânsia de vida eu abria
O vôo nas asas impossíveis
do sonho.
Venho do século passado.
Pertenço a uma geração
ponte, entre a libertação
dos escravos e o trabalhador livre.
Entre a monarquia caída e a república
que se instalava.
Todo o ranço do passado era presente.
A brutalidade, a incompreensão, a ignorância, o carrancismo.
Os castigos corporais.
Nas casas. Nas escolas.
Nos quartéis e nas roças.
A criança não tinha vez,
Os adultos eram sádicos
aplicavam castigos humilhantes.
Tive uma velha mestra que já
havia ensinado uma geração
antes da minha.
Os métodos de ensino eram
antiquados e aprendi as letras
em livros superados de que
ninguém mais fala.
Nunca os algarismos me
entraram no entendimento.
De certo pela pobreza que marcaria
Para sempre minha vida.
Precisei pouco dos números.
Sendo eu mais doméstica do
que intelectual,
não escrevo jamais de forma
consciente e racionada, e sim
impelida por um impulso incontrolável.
Sendo assim, tenho a
consciência de ser autêntica.
Nasci para escrever, mas, o meio,
o tempo, as criaturas e fatores
outros, contra-marcaram minha vida.
Sou mais doceira e cozinheira
Do que escritora, sendo a culinária
a mais nobre de todas as Artes:
objetiva, concreta, jamais abstrata
a que está ligada à vida e
à saúde humana.
Nunca recebi estímulos familiares para ser literata.
Sempre houve na família, senão uma
hostilidade, pelo menos uma reserva determinada
a essa minha tendência inata.
Talvez, por tudo isso e muito mais,
sinta dentro de mim, no fundo dos meus
reservatórios secretos, um vago desejo de analfabetismo.
Sobrevivi, me recompondo aos
bocados, à dura compreensão dos
rígidos preconceitos do passado.
Preconceitos de classe.
Preconceitos de cor e de família.
Preconceitos econômicos.
Férreos preconceitos sociais.
A escola da vida me suplementou
as deficiências da escola primária
que outras o destino não me deu.
Foi assim que cheguei a este livro
Sem referências a mencionar.
Nenhum primeiro prêmio.
Nenhum segundo lugar.
Nem Menção Honrosa.
Nenhuma Láurea.
Apenas a autenticidade da minha
poesia arrancada aos pedaços
do fundo da minha sensibilidade,
e este anseio:
procuro superar todos os dias
Minha própria personalidade
renovada,
despedaçando dentro de mim
tudo que é velho e morto.
Luta, a palavra vibrante
que levanta os fracos
e determina os fortes.
Quem sentirá a Vida
destas páginas...
Gerações que hão de vir
de gerações que vão nascer.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Aninha e suas Pedras (Cora Coralina)
Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Antiguidades (Cora Coralina)
Quando eu era menina
bem pequena,
em nossa casa,
certos dias da semana
se fazia um bolo,
assado na panela
com um testo de borralho em cima.
Era um bolo econômico,
como tudo, antigamente.
Pesado, grosso, pastoso.
(Por sinal que muito ruim.)
Eu era menina em crescimento.
Gulosa,
abria os olhos para aquele bolo
que me parecia tão bom
e tão gostoso.
A gente mandona lá de casa
cortava aquele bolo
com importância.
Com atenção. Seriamente.
Eu presente.
Com vontade de comer o bolo todo.
Era só olhos e boca e desejo
daquele bolo inteiro.
Minha irmã mais velha
governava. Regrava.
Me dava uma fatia,
tão fina, tão delgada...
E fatias iguais às outras manas.
E que ninguém pedisse mais !
E o bolo inteiro,
quase intangível,
se guardava bem guardado,
com cuidado,
num armário, alto, fechado,
impossível.
Era aquilo, uma coisa de respeito.
Não pra ser comido
assim, sem mais nem menos.
Destinava-se às visitas da noite,
certas ou imprevistas.
Detestadas da meninada.
Criança, no meu tempo de criança,
não valia mesmo nada.
A gente grande da casa
usava e abusava
de pretensos direitos
de educação.
Por dá-cá-aquela-palha,
ralhos e beliscão.
Palmatória e chineladas
não faltavam.
Quando não,
sentada no canto de castigo
fazendo trancinhas,
amarrando abrolhos.
"Tomando propósito".
Expressão muito corrente e pedagógica.
Aquela gente antiga,
passadiça, era assim:
severa, ralhadeira.
Não poupava as crianças.
Mas, as visitas...
- Valha-me Deus !...
As visitas...
Como eram queridas,
recebidas, estimadas,
conceituadas, agradadas !
Era gente superenjoada.
Solene, empertigada.
De velhas conversas
que davam sono.
Antiguidades...
Até os nomes, que não se percam:
D. Aninha com Seu Quinquim.
D. Milécia, sempre às voltas
com receitas de bolo, assuntos
de licores e pudins.
D. Benedita com sua filha Lili.
D. Benedita - alta, magrinha.
Lili - baixota, gordinha.
Puxava de uma perna e fazia crochê.
E, diziam dela línguas viperinas:
"- Lili é a bengala de D. Benedita".
Mestre Quina, D. Luisalves,
Saninha de Bili, Sá Mônica.
Gente do Cônego, Padre Pio.
D. Joaquina Amâncio...
Dessa então me lembro bem.
Era amiga do peito de minha bisavó.
Aparecia em nossa casa
quando o relógio dos frades
tinha já marcado 9 horas
e a corneta do quartel, tocado silêncio.
E só se ia quando o galo cantava.
O pessoal da casa,
como era de bom-tom,
se revezava fazendo sala.
Rendidos de sono, davam o fora.
No fim, só ficava mesmo, firme,
minha bisavó.
D. Joaquina era uma velha
grossa, rombuda, aparatosa.
Esquisita.
Demorona.
Cega de um olho.
Gostava de flores e de vestido novo.
Tinha seu dinheiro de contado.
Grossas contas de ouro
no pescoço.
Anéis pelos dedos.
Bichas nas orelhas.
Pitava na palha.
Cheirava rapé.
E era de Paracatu.
O sobrinho que a acompanhava,
enquanto a tia conversava
contando "causos" infindáveis,
dormia estirado
no banco da varanda.
Eu fazia força de ficar acordada
esperando a descida certa
do bolo
encerrado no armário alto.
E quando este aparecia,
vencida pelo sono já dormia.
E sonhava com o imenso armário
cheio de grandes bolos
ao meu alcance.
De manhã cedo
quando acordava,
estremunhada,
com a boca amarga,
- ai de mim -
via com tristeza,
sobre a mesa:
xícaras sujas de café,
pontas queimadas de cigarro.
O prato vazio, onde esteve o bolo,
e um cheiro enjoado de rapé.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Conclusões de Aninha (Cora Coralina)
Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.
O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?
Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Mulher da Vida (Cora Coralina)
Mulher da Vida, minha Irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades e
carrega a carga pesada dos mais
torpes sinônimos,
apelidos e apodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à-toa.
Mulher da Vida, minha irmã.
Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.
Desprotegidas e exploradas.
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.
Necessárias fisiologicamente.
Indestrutíveis.
Sobreviventes.
Possuídas e infamadas sempre por
aqueles que um dia as lançaram na vida.
Marcadas. Contaminadas,
Escorchadas. Discriminadas.
Nenhum direito lhes assiste.
Nenhum estatuto ou norma as protege.
Sobrevivem como erva cativa dos caminhos,
pisadas, maltratadas e renascidas.
Flor sombria, sementeira espinhal
gerada nos viveiros da miséria, da
pobreza e do abandono,
enraizada em todos os quadrantes da Terra.
Um dia, numa cidade longínqua, essa
mulher corria perseguida pelos homens que
a tinham maculado. Aflita, ouvindo o
tropel dos perseguidores e o sibilo das pedras,
ela encontrou-se com a Justiça.
A Justiça estendeu sua destra poderosa e
lançou o repto milenar:
“Aquele que estiver sem pecado
atire a primeira pedra”.
As pedras caíram
e os cobradores deram s costas.
O Justo falou então a palavra de eqüidade:
“Ninguém te condenou, mulher...
nem eu te condeno”.
A Justiça pesou a falta pelo peso
do sacrifício e este excedeu àquela.
Vilipendiada, esmagada.
Possuída e enxovalhada,
ela é a muralha que há milênios detém
as urgências brutais do homem para que
na sociedade possam coexistir a inocência,
a castidade e a virtude.
Na fragilidade de sua carne maculada
esbarra a exigência impiedosa do macho.
Sem cobertura de leis
e sem proteção legal,
ela atravessa a vida ultrajada
e imprescindível, pisoteada, explorada,
nem a sociedade a dispensa
nem lhe reconhece direitos
nem lhe dá proteção.
E quem já alcançou o ideal dessa mulher,
que um homem a tome pela mão,
a levante, e diga: minha companheira.
Mulher da Vida, minha irmã.
No fim dos tempos.
No dia da Grande Justiça
do Grande Juiz.
Serás remida e lavada
de toda condenação.
E o juiz da Grande Justiça
a vestirá de branco em
novo batismo de purificação.
Limpará as máculas de sua vida
humilhada e sacrificada
para que a Família Humana
possa subsistir sempre,
estrutura sólida e indestrurível
da sociedade,
de todos os povos,
de todos os tempos.
Mulher da Vida, minha irmã.
Declarou-lhe Jesus: “Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no Reino de Deus”.
Evangelho de São Mateus 21, ver.31.
domingo, 25 de novembro de 2012
CORA CORALINA
Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nasceu na Cidade de Goiás, em 20 de agosto de 1889, foi uma poetisa e contista brasileira. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.
Filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de Jacinta Luísa do Couto Brandão, Ana nasceu e foi criada às margens do rio Vermelho, em casa comprada por sua família no século XIX, quando seu avô ainda era uma criança. Estima-se que essa casa foi construída em meados do século XVIII, tendo sido uma das primeiras edificações da antiga Vila Boa de Goiá.
Em 1903 já escrevia poemas sobre seu cotidiano, tendo criado, juntamente com duas amigas, apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries, com Mestra Silvina. Em 1908, o jornal de poemas femininos "A Rosa". Em 1910, seu primeiro conto, "Tragédia na Roça", é publicado no "Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás", já com o pseudônimo de Cora Coralina.
Casou-se em 1910 com o advogado Cantídio Tolentino Bretas, com quem se mudou, no ano seguinte, para o interior de São Paulo. Viveria no estado de São Paulo por quarenta e cinco anos, inicialmente nas cidades de Avaré e Jaboticabal - onde nascem seus seis filhos: Paraguaçu, Enéias, Cantídio, Jacintha, Ísis e Vicência - e depois na cidade de São Paulo, para onde se mudou em 1924. Ao chegar à capital, teve que permanecer algumas semanas trancada num hotel em frente à Estação da Luz, já que os revolucionários de 1924 haviam parado a cidade. Em 1930, presenciou a chegada de Getúlio Vargas à esquina da rua Direita com a praça do Patriarca. Um de seus filhos participou da Revolução Constitucionalista de 1932.
Com a morte do marido, passou a vender livros da editora José Olimpio que, em 1965, lança seu primeiro livro, "O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Em 1976, é lançado "Meu Livro de Cordel", pela editora Cultura Goiana. Posteriormente mudou-se para Penápolis, no interior do estado, onde passou a produzir e vender lingüiça caseira e banha de porco. Mudou-se em seguida para Andradina, até que, em 1956, retornou para Goiás.
Ao completar cinquenta anos de idade, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como "a perda do medo". Nesta fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás. Em 1984, torna-se a primeira mulher a receber o Prêmio Juca Pato, como intelectual do ano de 1983.
Durante esses anos, Cora não deixou de escrever poemas relacionados com a sua história pessoal, com a cidade em que nascera e com ambiente em que fora criada. Ela chegou ainda a gravar um LP declamando algumas de suas poesias. Lançado pela gravadora Paulinas COMEP, o disco ainda pode ser encontrado hoje em formato CD. Viveu 96 anos, teve seis filhos, quinze netos e 19 bisnetos, foi doceira e membro efetivo de diversas entidades culturais, tendo recebido o título de doutora "Honoris Causa" pela Universidade Federal de Goiás. No dia 10 de abril de 1985, falece em Goiânia. Seu corpo é velado na Igreja do Rosário, ao lado da Casa Velha da Ponte. "Estórias da Casa Velha da Ponte" é lançado pela Global Editora. Postumamente, foram lançados os livros infantis "Os Meninos Verdes", em 1986, e "A Moeda de Ouro que um Pato Comeu", em 1997, e "O Tesouro da Casa Velha da Ponte", em 1989.A sua casa na Cidade de Goiás foi transformada num museu em homenagem à sua história de vida e produção literária.
Obras
Poesia
Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, 1965
Meu livro de cordel, 1976
Vintém de cobre: meias confissões de Aninha, 1983
Infantil
Meninos Verdes, 1986
O Tesouro da Casa Velha, 1989
A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu, 1997
Contos e Crônicas
Estórias da Casa Velha da Ponte, 1985
Biografia
Cora Coragem Cora Poesia (escrita por sua filha Vicência Bretas Than), 2002
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Porquês
Olá, pessoal.
Nas nossas próximas semanas, vamos aprender a forma e grafia de algumas
palavras e expressões da língua portuguesa.
Hoje estudaremos as regras dos “por quês”. Qual usar e quando usar são
as dúvidas mais frequentes.
Então vamos lá...
1.
Por que: é
a sequência de uma preposição (por) e um pronome (que). Equivale a “por qual
razão”, “por qual motivo”.
Exemplo: Não sei por que você
acha isso.
Observação: caso surja no final de uma frase, imediatamente
antes de um ponto (final, de interrogação, de exclamação) ou de reticências, a
sequência deve ser grafada por quê,
pois, devido à posição na frase, o monossílabo que passa a ser tônico.
Exemplo: - Ainda não terminou? Por quê?
2.
Por quê: é
a junção da preposição por com o substantivo quê, que só é usado em final de frase. Aliás, sempre que a palavra
"que" for usada em final
de frase deverá ser acentuada, independentemente do elemento que surja antes.
Exemplo: — Você não me telefonou ontem por quê?
3.
Porque: conjunção
equivalente a pois, já que, uma vez que, como.
Exemplo: Sei que há algo errado porque ninguém apareceu até agora.
Observação: Porque
também pode indicar finalidade, equivalendo a para que, a fim de. Trata-se de
um uso pouco frequente na língua atual.
Exemplo: Não julgues porque não te julguem.
4.
Porquê:
essa forma representa um substantivo. Significa “causa”, “razão”, “motivo” e
normalmente surge acompanhada de palavra determinante (artigo, por exemplo):
Exemplo: Dê-me ao menos um porquê da sua atitude.
Qualquer
dúvida é só entrar em contato.
Entra em contato com a gente: palavrafemininaar@hotmail.com
Abraços e até a próxima.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Concordância Nominal
por Ariadne Mégara
Olá,
pessoas!!! Hoje voltaremos todas as nossas atenções para a chamada Concordância
Nominal, que não é nada mais, nada menos que a harmonia de adjetivos, pronomes,
artigos e numerais em gênero e número com os substantivos a que se referem.
REGRA GERAL:
O artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome, concordam em gênero e número com o
substantivo.
Exemplo:
A pequena criança é uma gracinha.
Mas,
temos, assim como na concordância verbal, alguns casos especiais. São eles:
A.
Um adjetivo após vários substantivos
1 – Substantivos de mesmo
gênero: adjetivo vai para o plural ou concorda com o substantivo mais
próximo.
Exemplos: Irmão e primo recém-chegado
estiveram aqui.
Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui.
Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui.
2 – Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural
masculino ou concorda com o substantivo mais próximo.
Exemplos: Ela tem pai e mãe louros.
Ela tem pai e mãe loura.
Ela tem pai e mãe loura.
3 – Adjetivo funciona como predicativo: vai obrigatoriamente para o
plural.
Exemplos: O homem e o menino estavam
perdidos.
O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui.
O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui.
B.
Um adjetivo anteposto a vários substantivos
1 – Adjetivo anteposto normalmente: concorda com o mais próximo.
Exemplos: Comi delicioso almoço e sobremesa.
Provei deliciosa fruta e suco.
Provei deliciosa fruta e suco.
2 – Adjetivo anteposto funcionando como predicativo: concorda com o
mais próximo ou vai para o plural.
Exemplo: Estavam feridos o pai e os filhos.
Estava ferido o pai e os filhos.
Estava ferido o pai e os filhos.
C.
Um substantivo e mais de um adjetivo
1- antecede todos os adjetivos com um artigo.
Exemplo: Falava fluentemente a língua
inglesa e a espanhola.
2- coloca o substantivo no plural.
Exemplo: Falava fluentemente as línguas
inglesa e espanhola.
D.
Pronomes de tratamento: sempre
concordam com a 3ª pessoa.
Exemplo: Vossa santidade esteve no Brasil.
E.
Anexo,
incluso, próprio, obrigado: concordam com o substantivo a que se
referem.
Exemplos: As cartas estão anexas.
A bebida está inclusa.
Precisamos de nomes próprios.
Obrigado, disse o rapaz.
A bebida está inclusa.
Precisamos de nomes próprios.
Obrigado, disse o rapaz.
F.
Um(a)
e outro(a), num(a) e noutro(a): após essas expressões o substantivo
fica sempre no singular e o adjetivo no plural.
Exemplo: Renato advogou um e outro caso
fáceis.
G.
É
bom, é necessário, é proibido: essas expressões não variam se o
sujeito não vier precedido de artigo ou outro determinante.
Exemplos: Canja é bom. / A canja é boa.
É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A entrada é proibida.
É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A entrada é proibida.
H.
Muito,
pouco, caro
1- Como adjetivos: seguem a regra geral.
Exemplo: Comi muitas frutas durante a
viagem.
Pouco arroz é suficiente para mim.
Os sapatos estavam caros.
Pouco arroz é suficiente para mim.
Os sapatos estavam caros.
2- Como advérbios: são invariáveis.
Comi muito durante a viagem.
Pouco lutei, por isso perdi a batalha.
Comprei caro os sapatos.
Pouco lutei, por isso perdi a batalha.
Comprei caro os sapatos.
I.
Mesmo,
bastante
1- Como advérbios: invariáveis
Exemplos: Preciso mesmo da sua ajuda.
Fiquei bastante contente com a proposta de emprego.
Fiquei bastante contente com a proposta de emprego.
2- Como pronomes: seguem a regra geral.
Exemplos: Seus argumentos foram bastantes
para me convencer.
Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou.
Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou.
J.
Menos,
alerta: em todas as ocasiões são invariáveis.
Exemplos: Preciso de menos comida para
perder peso.
Estamos alerta para com suas chamadas.
Estamos alerta para com suas chamadas.
K.
Tal Qual: “tal” concorda com o
antecedente, “qual” concorda com o conseqüente.
Exemplos: As garotas são vaidosas tais qual
a tia.
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos.
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos.
L.
Possível: quando vem acompanhado
de “mais”, “menos”, “melhor” ou “pior”, acompanha o artigo que precede as
expressões.
Exemplos: A mais possível das alternativas é
a que você expôs.
Os melhores cargos possíveis estão neste setor da empresa.
As piores situações possíveis são encontradas nas favelas da cidade.
Os melhores cargos possíveis estão neste setor da empresa.
As piores situações possíveis são encontradas nas favelas da cidade.
M.
Meio
1- Como advérbio: invariável.
Exemplo: Estou meio insegura.
2- Como numeral: segue a regra geral.
Exemplo: Comi meia laranja pela manhã.
N.
Só
1- apenas, somente (advérbio): invariável.
Exemplo: Só consegui comprar uma passagem.
2- sozinho (adjetivo): variável.
Exemplo: Estiveram sós durante horas.
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