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sábado, 3 de novembro de 2012
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Saudade (Clarice Lispector)
Gente,
quem acompanha o Blog, já deve ter notado que a última semana do mês é
para a autora do mês e alguns poemas, entretanto, esse como hoje é Dia de Finados e a autora de Outubro tem um poema lindo como Saudade, vamos conhecê-lo hoje. Espero que gostem!
Saudade é um pouco como fome.
Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda
que a presença é pouco:
quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro
para uma unificação inteira
é um dos sentimentos mais urgentes
que se tem na vida.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Meu Deus, me dê coragem (Clarice Lispector)
Gente,
quem acompanha o Blog, já deve ter notado que a última semana do mês é
para a autora do mês e alguns poemas, entretanto, esse mês de Novembro já começa com feriado e o início do mês se resume a três dias dessa semana (quinta, sexta e sábado), continuaremos com os poemas da autora
de Outubro, até porque seria injusta com a do mês passado ter uma semana de poemas tão curtinha, portanto, na próxima semana voltamos aos trabalhos normais e na última semana do mês, teremos a
autora de Novembroe seus poemas. Espero que gostem!
Meu Deus, me dê a coragem de viver
Meu Deus, me dê a coragem de viver
trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a tua amante humilde
entrelaçada a ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de te amar;
Sem odiar as tuas ofensas
à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão
me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha
a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
Meu pecado de pensar.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Rifa-se um Coração (Clarice Lispector)
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha que
Tim Maia estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva
a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo
em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que abre
sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir.
Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Nossa Truculência (Clarice Lispector)
Quando penso na alegria voraz
com que comemos galinha ao molho pardo,
dou-me conta de nossa truculência.
Eu, que seria incapaz de matar uma galinha,
tanto gosto delas vivas
mexendo o pescoço feio
e procurando minhocas.
Deveríamos não comê-las e ao seu sangue?
Nunca.
Nós somos canibais,
é preciso não esquecer.
E respeitar a violência que temos.
E, quem sabe, não comêssemos a galinha ao molho pardo,
comeríamos gente com seu sangue.
Minha falta de coragem de matar uma galinha
e no entanto comê-la morta
me confunde, espanta-me,
mas aceito.
A nossa vida é truculenta:
nasce-se com sangue
e com sangue corta-se a união
que é o cordão umbilical.
E quantos morrem com sangue.
É preciso acreditar no sangue
como parte de nossa vida.
A truculência.
É amor também.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Lucidez Perigosa (Clarice Lispector)
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
domingo, 28 de outubro de 2012
Não Entendo (Clarice Lispector)
Isso é tão vasto
que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa
quando não entendo.
Não entender,
do modo como falo, é um dom.
Não entender,
mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha,
como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso,
é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco.
Não demais:
mas pelo menos entender que não entendo.
sábado, 27 de outubro de 2012
CLARICE LISPECTOR
Clarice
Lispector, nascida Haia Pinkhasovna Lispector foi uma escritora
brasileira, nascida na Ucrânia, em 10 de dezembro de 1920. Autora de
linha introspectiva, buscava exprimir, através de seus textos, as
agruras e antinomias do ser. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação
do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a
própria subjetividade entrar em crise.
De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano. Aportaram no Brasil quando tinha pouco mais de um ano de idade.
A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania, irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia,irmã, Elisa; e Haia, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante.
Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.
Sua mãe morreu em 21 de setembro de 1930 (Clarice tinha apenas 9 anos), após vários anos sofrendo com as consequências da Sífilis, supostamente contraída por conta de um estupro sofrido durante a Guerra Civil Russa enquanto a família ainda estava na Ucrânia. Clarice sofreu com a morte da mãe, e muitos de seus textos refletem a culpa que a autora sentia e figuras de milagres que salvariam sua mãe.
Clarice estudou em uma escola primária na Tijuca, até ir para o curso preparatório para a Faculdade de Direito. Foi aceita para a Escola de Direito na então Universidade do Brasil em 1939. Se viu frustrada com muitas das teorias ensinadas no curso, e descobriu um escape: a literatura. Em 25 de maio de 1940, com apenas 19 anos, publicou seu primeiro conto "Triunfo" na Revista Pan.
Três depois, após uma cirurgia simples para a retirada de sua vesícula biliar, seu pai Pedro morre de complicações do procedimento. No mesmo ano, Clarice chama a atenção (provavelmente com o conto "Eu e Jimmy") de Lourival Fontes, então chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda (órgão responsável pela censura no Estado Novo de Getúlio Vargas), e é alocada para trabalhar na Agência Nacional, responsável por distribuir notícias aos jornais e emissoras de rádio da época.
Em 1937 lançou um primeiro livro de poesia, intitulado Poemas. Em 1943, no mesmo ano de sua formatura, casou-se com o colega de turma Maury Gurgel Valente, futuro pai de seus dois filhos. Maury foi aprovado no concurso de admissão na carreira diplomática, e passou a fazer parte do quadro do Ministério das Relações Exteriores. Em sua primeira viagem como esposa de diplomata, Clarice morou na Itália onde serviu durante a Segunda Guerra Mundial como assistente voluntária junto ao corpo de enfermagem da Força Expedicionária Brasileira. Também morou em países como Inglaterra, Estados Unidos e Suiça, países para onde Maury foi escalado. Apesar disso, sempre falou em suas cartas a amigos e irmãs como sentia falta do Brasil.
Em dezembro de 1943, publicou seu primeiro romance, Perto do coração selvagem. Escrito quando tinha 19 anos, o livro apresenta Joana como protagonista, a qual narra sua história em dois planos: a infância e o início da vida adulta. Perto do coração selvagem ganhou o prêmio da Fundação Graça Aranha de melhor romance de estréia, em outubro de 1944. Em 1946, em uma viagem ao Rio de Janeiro , lança seu segundo livro "O Lustre".
Em 10 de agosto de 1948, nasce seu primeiro filho, Pedro, em Berna na Suiça. Em 10 de fevereiro de 1953, nasce Paulo, o segundo filho de Clarice e Maury, em Washington, D.C., nos Estados Unidos. Em 1959 se separou do marido que ficou na Europa e voltou permanentemente ao Rio de Janeiro com seus filhos, morando no Leme. [8] No mesmo ano assina a coluna "Correio feminino - Feira de Utilidades", no jornal carioca Correio da Manhã, sob o pseudônimo de Helen Palmer. No ano seguinte, assume a coluna "Só para mulheres", do Diário da Noite, como ghost-writer da atriz Ilka Soares.
Em 1964 Clarice lança dois livros: A Legião Estrangeira, uma coletânea de contos e o romance A Paixão segundo G.H.. Em 1970, começa a escrever um novo livro com o título de Atrás do pensamento: monólogo com a vida". Mais tarde é renomeado de "Objeto Gritante". Finalmente é lançado em 1973 com o título definitivo de "Água Viva". Em 1974 publico mais dois livros de contos, novamente pela Artenova: "A via crucis do corpo" e "Onde estivestes de noite".
Em meados de 1970, Lispector começou a trabalhar no livro Um sopro de vida: pulsações, publicado postumamente. Este livro consiste de uma série de diálogos entre o "autor" e sua criação, Angela Pralini, personagem cujo nome foi emprestado de outro personagem de um conto publicado em Onde estivestes de noite. Esta abordagem fragmentada foi novamente utilizada no seu penúltimo e, talvez, mais famoso romance, A hora da estrela.
Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela. Faleceu em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57º aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Cajú, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.
O Lustre, 1946
A Cidade Sitiada, 1949
A Maçã no Escuro, 1961
A Paixão segundo G.H., 1964
Uma Aprendizagem ou Livro dos Prazeres, 1969
Água Viva, 1973
Um Sopro de Vida - Pulsações, 1978
Laços de família, 1960
A legião estrangeira, 1964
Felicidade clandestina, 1971
A imitação da rosa, 1973
A via crucis do corpo, 1974
Onde estivestes de noite, 1974
A bela e a fera, 1979
Para não esquecer, 1978
A descoberta do mundo, 1984
A vida íntima de Laura, 1974
Quase de verdade, 1978
Como nasceram as estrelas, 1987
Clarice Lispector, 1981
O primeiro beijo & outros contos, de Clarice Lispector, 1991
Os melhores contos de Clarice Lispector, 2001
Aprendendo a viver, 2004
A Perfeição, in: A Descoberta do Mundo, 1984
Mas há a Vida, in: A Descoberta do Mundo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984
Amor à Terra, in: A Descoberta do Mundo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984
Meu Deus, me dê a coragem., in: Um Sopro de Vida, 1978
A Lucidez Perigosa, in: A Descoberta do Mundo,
Nossa Truculência, in: A Descoberta do Mundo,
Estrela Perigosa, in: BORELLI, Olga. Clarice Lispector – Esboço para um possível retrato, 1981
Quero escrever o borrão vermelho de sangue, in: BORELLI, Olga. Clarice Lispector – Esboço para um possível retrato. 1981
De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano. Aportaram no Brasil quando tinha pouco mais de um ano de idade.
A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania, irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia,irmã, Elisa; e Haia, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante.
Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.
Sua mãe morreu em 21 de setembro de 1930 (Clarice tinha apenas 9 anos), após vários anos sofrendo com as consequências da Sífilis, supostamente contraída por conta de um estupro sofrido durante a Guerra Civil Russa enquanto a família ainda estava na Ucrânia. Clarice sofreu com a morte da mãe, e muitos de seus textos refletem a culpa que a autora sentia e figuras de milagres que salvariam sua mãe.
Clarice estudou em uma escola primária na Tijuca, até ir para o curso preparatório para a Faculdade de Direito. Foi aceita para a Escola de Direito na então Universidade do Brasil em 1939. Se viu frustrada com muitas das teorias ensinadas no curso, e descobriu um escape: a literatura. Em 25 de maio de 1940, com apenas 19 anos, publicou seu primeiro conto "Triunfo" na Revista Pan.
Três depois, após uma cirurgia simples para a retirada de sua vesícula biliar, seu pai Pedro morre de complicações do procedimento. No mesmo ano, Clarice chama a atenção (provavelmente com o conto "Eu e Jimmy") de Lourival Fontes, então chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda (órgão responsável pela censura no Estado Novo de Getúlio Vargas), e é alocada para trabalhar na Agência Nacional, responsável por distribuir notícias aos jornais e emissoras de rádio da época.
Em 1937 lançou um primeiro livro de poesia, intitulado Poemas. Em 1943, no mesmo ano de sua formatura, casou-se com o colega de turma Maury Gurgel Valente, futuro pai de seus dois filhos. Maury foi aprovado no concurso de admissão na carreira diplomática, e passou a fazer parte do quadro do Ministério das Relações Exteriores. Em sua primeira viagem como esposa de diplomata, Clarice morou na Itália onde serviu durante a Segunda Guerra Mundial como assistente voluntária junto ao corpo de enfermagem da Força Expedicionária Brasileira. Também morou em países como Inglaterra, Estados Unidos e Suiça, países para onde Maury foi escalado. Apesar disso, sempre falou em suas cartas a amigos e irmãs como sentia falta do Brasil.
Em dezembro de 1943, publicou seu primeiro romance, Perto do coração selvagem. Escrito quando tinha 19 anos, o livro apresenta Joana como protagonista, a qual narra sua história em dois planos: a infância e o início da vida adulta. Perto do coração selvagem ganhou o prêmio da Fundação Graça Aranha de melhor romance de estréia, em outubro de 1944. Em 1946, em uma viagem ao Rio de Janeiro , lança seu segundo livro "O Lustre".
Em 10 de agosto de 1948, nasce seu primeiro filho, Pedro, em Berna na Suiça. Em 10 de fevereiro de 1953, nasce Paulo, o segundo filho de Clarice e Maury, em Washington, D.C., nos Estados Unidos. Em 1959 se separou do marido que ficou na Europa e voltou permanentemente ao Rio de Janeiro com seus filhos, morando no Leme. [8] No mesmo ano assina a coluna "Correio feminino - Feira de Utilidades", no jornal carioca Correio da Manhã, sob o pseudônimo de Helen Palmer. No ano seguinte, assume a coluna "Só para mulheres", do Diário da Noite, como ghost-writer da atriz Ilka Soares.
Em 1964 Clarice lança dois livros: A Legião Estrangeira, uma coletânea de contos e o romance A Paixão segundo G.H.. Em 1970, começa a escrever um novo livro com o título de Atrás do pensamento: monólogo com a vida". Mais tarde é renomeado de "Objeto Gritante". Finalmente é lançado em 1973 com o título definitivo de "Água Viva". Em 1974 publico mais dois livros de contos, novamente pela Artenova: "A via crucis do corpo" e "Onde estivestes de noite".
Em meados de 1970, Lispector começou a trabalhar no livro Um sopro de vida: pulsações, publicado postumamente. Este livro consiste de uma série de diálogos entre o "autor" e sua criação, Angela Pralini, personagem cujo nome foi emprestado de outro personagem de um conto publicado em Onde estivestes de noite. Esta abordagem fragmentada foi novamente utilizada no seu penúltimo e, talvez, mais famoso romance, A hora da estrela.
Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela. Faleceu em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57º aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Cajú, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.
Obras
- Romance
O Lustre, 1946
A Cidade Sitiada, 1949
A Maçã no Escuro, 1961
A Paixão segundo G.H., 1964
Uma Aprendizagem ou Livro dos Prazeres, 1969
Água Viva, 1973
Um Sopro de Vida - Pulsações, 1978
- Novela
- Conto
Laços de família, 1960
A legião estrangeira, 1964
Felicidade clandestina, 1971
A imitação da rosa, 1973
A via crucis do corpo, 1974
Onde estivestes de noite, 1974
A bela e a fera, 1979
- Crônica
Para não esquecer, 1978
A descoberta do mundo, 1984
- Literatura Infantil
A vida íntima de Laura, 1974
Quase de verdade, 1978
Como nasceram as estrelas, 1987
- Antologia
Clarice Lispector, 1981
O primeiro beijo & outros contos, de Clarice Lispector, 1991
Os melhores contos de Clarice Lispector, 2001
Aprendendo a viver, 2004
- Poesia
A Perfeição, in: A Descoberta do Mundo, 1984
Mas há a Vida, in: A Descoberta do Mundo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984
Amor à Terra, in: A Descoberta do Mundo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984
Meu Deus, me dê a coragem., in: Um Sopro de Vida, 1978
A Lucidez Perigosa, in: A Descoberta do Mundo,
Nossa Truculência, in: A Descoberta do Mundo,
Estrela Perigosa, in: BORELLI, Olga. Clarice Lispector – Esboço para um possível retrato, 1981
Quero escrever o borrão vermelho de sangue, in: BORELLI, Olga. Clarice Lispector – Esboço para um possível retrato. 1981
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