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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Barroco





por Anailde Ribeiro
  e Ramona Rocha


O Barroco surgiu em uma época que com o surgimento do Protestantismo, a Igreja Católica sentia-se ameaçada, fazendo-a a criar a Contra Reforma, de modo que o Barroco acontece do final do século XVI ao início do século XVIII, numa época em que há um clima de tensão no mundo fé.
Dessa maneira, os escritos barrocos são feitos de poetas para poetas, dentro das Academias, isto é, agremiações culturais onde se discutem poesias e tratados de retórica dos clássicos latinos; portanto, os poetas tinham o intuito de produzir textos bastante elaborados para serem reconhecidos e acessíveis para o entendimento do leitor.
As principais caracterísiticas do Barroco são:
Fusionismo, a fusão das visões medieval e renascentista, as quais são antagônicas.
Culto do contraste, há uma aproximação dos opostos, principalmente carne/espírito, pecado/perdão, juventude/velhice, céu/terra, erotismo/espiritualidade.
Pessimismo, o homem dividido entre o Deus e o Homem, possui uma visão pessimista ao fazer o contraste entre o homem com tristeza e sofrimento, e Deus com felicidade e glória.
Feísmo, há exploração da miséria humana e seus aspectos crueis, dolorosos e repugnantes.
Rebuscamento, o escritor escreve de maneira excessivamente rebuscada, portanto, a linguagem é composta observando os detalhes, cheia de imagens e figuras, explorando o jogo de palavras e figuras de linguagem, principalmente a metáfora.
Dinamismo e teatralidade, o escritor busca a ideia de movimento para representar a instabilidade da época
Reflexão sobre a fragilidade humana, entre os temas mais recorrentes dos poemas barrocos estão: a fragilidade da vida humana, a fugacidade do tempo, a crítica à vaidade, as contradições do amor, embora, seja possível observar que a forma elaborada do texto é mais importante que o tema em si.
            Guiada de toda dualidade da época, o Barroco divide-se em duas correntes:
CULTISMO: predominante na poesia, caracteriza-se pela elaboração rebuscada, visto a utilização de três artifícios: jogos de palavras, jogos de imagens – figuras de imagens e jogos de construção – estruturação sintática elaborada; também conhecido como Gongorismo, visto seu principal adepto ter sido Luís de Góngora.
CONCEPTISMO: conhecido como Quevedismo, devido a Francisco Quevedo, tem a predominância dos textos em prosa, enquanto o escritor afasta-se do rebuscamento para valorizar o conteúdo, recorrendo a comparações ousadas, exemplificações frequentes, metáforas, imagens, hipérboles, analogias.

            Em relação ao Barroco brasileiro, este ocorreu durante o século XVII, quando em 1601, Bento Teixeira escreveu o poema épico Prosopopéia; embora o poeta não esteja entre os dois principais autores:
GREGÓRIO DE MATOS, conhecido por sua poesia lírica, sacra e satírica; na primeira retoma temas clássicas, como a dualidade entre espírito e matéria; já na segunda enfatiza o senso de pecado, a constatação da fragilidade humana e o temor diante da morte e da condenação, esses poemas foram produzidos na fase final de sua vida quando apresentava uma fase de pecador arrependido contrastando com o jovem que outrora desafiava o poder divino nos poemas; enquanto a satírica foi sua faceta mais famosa ao expor a prática da maledicância, revelando aspectos negativos da vida na Bahia e em Pernambuco, denunciando a corrupção econômica dos políticos e moral dos padres e freiras. Embora, usando metáforas e estruturação sintática, seus poemas não exageravam o artificialismo da linguagem cultista.
PADRE ANTÔNIO VIEIRA, destacou-se pelos seus sermões, os quais eram produzidos com engenhosa argumentação e retórica perfeita, entre os mais famosos estão Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal e Sermão da primeira dominga da Quaresma.

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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Literatura no Período Colonial






por Anailde Ribeiro
  e Ramona Rocha



Hoje voltaremos no tempo, mais precisamente, para a época da Colonização Brasileira e vamos estudar o primeiro sinal de literatura em terras tupiniquins, isto é, a Literatura de Viagem e a de Catequese.

LITERATURA DE VIAGEM


Influenciada por uma época de descobrimentos marítimos, a Literatura de Viagem surgiu no século XVI, a qual tem como obra mais marcante a Carta de Pero Vaz Caminha, cujo conteúdo não foi divulgado à época aos portugueses por conter informações importantes para a coroa portuguesa.
A escola literária dessa época produz relatos de viagem, cuja finalidade essencial é informar, tendo como característica ser uma espécie de crônica histórica, por isso é conhecida como Literatura de Viagem ou de Informação, sendo o primeiro registro do olhar do estrangeiro para as terras tupiniquins.
Visto que seu objetivo é informar, a linguagem utiliza bastante a descrição e a comparação, já que era necessário apresentar o desconhecido, de tal maneira, que muitas vezes traziam a idéia que do outro lado do oceano havia-se encontrado o paraíso terrestre.
A visão do estrangeiro define o índio e a natureza como símbolos da nacionalidade brasileira, quando Caminha descreve o Novo Mundo como um paraíso tropical, embora, seja possível encontrar, ainda, os principais interesses da Coroa, isto é, ouro, metais preciosos e a salvação dos indígenas.

LITERATURA DE CATEQUESE

            Nessa mesma época há a Literatura de Catequese, a qual recebe este nome porque seus textos são escritos por religiosos com o intuito de converter os índios; visto que os jesuítas tinham como função educar, portanto, além de escolas, eles escreviam poemas e peças de teatro, cujo conteúdo eram cenas bíblicas e passagens da vida dos santos.
            Seu mais importante representante foi o Padre José de Anchieta que escreveu poemas líricos e peças de teatro, que foram as primeiras a serem encenadas no Brasil, como  Na festa de São Lourenço, além da obra Arte da gramática da língua mais usada na costa do Brasil, isto é, a primeira gramática da língua tupi.

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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Realismo x Naturalismo





por Anailde Ribeiro
  e Ramona Rocha



Já que estudamos tanto sobre o Realismo, quanto sobre o Naturalismo, iremos diferenciá-los e assim revisar as duas Escolas Literárias irmãs as quais tinham em comum atacar a religiosidade, a ignorância, a aristocracia e a família burguesa hipócrita


As características realistas são:
- Racionalismo e objetividade;
- Contemporaneidade;
- Materialismo;
- Anatomia do caráter;
- Coletividade;
- Descrição;

Assim, podemos resumir o Realismo em três aspectos:
- Representação da realidade que permita denunciar aspectos negativos da sociedade;
- Olhar mais racional, objetivo e crítico;
- Temas de interesse coletivo (adultério, opressão, corrupção, etc);

Seus principais autores são:
- Machado de Assis, que inaugurou o Realismo com Memórias Póstumas de Brás Cubas, em 1881.
- Raul Pompéia, que escreveu O Ateneu.

O Naturalismo tem como principais características:
-Seleção Natural;
-Análise do coletivo;
-Zoomorfização;
-Ciência sobrepondo a religião;
-Determinismo;
-Imparcialidade;
-Descrição;

Deste modo, o Naturalismo pode ser resumido em três aspectos:
-Literatura a serviço da ciência;
-Personagens tratadas com olhar crítico;
-Olhar racional e objetivo para a realidade;

Seus principais autores são:
- Aluísio Azevedo, que inaugurou o Naturalismo com O Mulato, em 1881.
- Adolfo Caminha, que escreveu A Normalista.
-Júlio Ribeiro, que escreveu A Carne.
-Domingos Olímpio, que escreveu Luzia-Homem.
-Inglês de Souza, que escreveu O Seminarista.


 Finalmente:
A Principal característica do Realismo é a Psicologia 
A Princpal característica do Naturalismo é a Cientifica

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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Autores Naturalistas







por Anailde Ribeiro
  e Ramona Rocha




Seguindo nosso estudo sobre o Naturalismo e como prometido no post passado, hoje iremos conhecer mais sobre os autores naturalistas:


  •  Aluísio Azevedo:
Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo nasceu em 1857, em São Luís do Maranhão, foi romancista, cronista, caricaturista, jornalista, diplomata e considerado “o primeiro romancista de massas”.
Morou com o irmão no Rio de Janeiro, trabalhando em jornais políticos da época; contudo, após a morte de seu pai retorna ao Maranhão, iniciando sua carreira literária em 1880 com Uma lágrima de mulher e O Mulato, em 1881, que inaugura o Naturalismo Brasileiro; e pouco antes do lançamento do livro, anunciou no jornal A pacotilha a chegada do advogado: “Dr. Raimundo José da Silva, distinto advogado que partilha de nossas idéias e propõe-se a abater os abusos da Igreja. Consta-nos que há certo mistério na vida deste cavalheiro”; provocando a venda de dois mil exemplares, entretanto, a obra não foi bem recebida em sua terra natal.
Aluísio Azevedo viveu de sua escrita, deste modo, para sobreviver de sua literatura, suas obras mesclam o romantismo e o naturalismo, de forma simultânea e não de maneira sucessiva, como ocorreu com Machado de Assis.
Torna-se diplomata, em 1895, servindo em Nápoles, Japão e Buenos Aires, onde falece em 1913. Suas obras incluem, ainda: A Condessa Vésper (1882), Girândola de Amores (1882), Filomena Borges (1884), Casa de Pensão (1884), O Homem (1887), O Coruja (1890), O Cortiço (1890), O Esqueleto (1890 em parceria com Olavo Bilac), A Mortalha de Alzira (1894), Livro de uma Sogra (1895), além de contos, crônicas e peças de teatro.
  • Adolfo Caminha:
Adolfo Ferreira Caminha ficou órfão de mãe, em 1877, e sofreu com a seca do Nordeste, nesse mesmo ano. Fez os primeiros estudos em Fortaleza (CE) e depois seguiu para o Rio de Janeiro, onde se matriculou na Escola Naval (1883).
Na Marinha, sentiu o choque da instituição conservadora e monarquista, revelando-se republicano e abolicionista. Por volta de 1886 demonstrou vocação pela literatura, quando publicou os poemas Vôos Incertos e os livros de contos Judite e Lágrimas de um Crente. Durante suas viagens como marinheiro, escreveu as crônicas No País dos Ianques (1894).
Em 1888 pediu transferência para Fortaleza, pois, o Ceará já havia libertado seus escravos quatro anos antes e a vida literária da Capital era ativa. Naquela cidade, o já tenente Caminha envolveu-se com Isabel Jataí de Paula Barros, que deixou seu marido e foi viver com o marinheiro, de modo, que foi expulso da Marinha. Então, foi trabalhar na Tesouraria da Fazenda e continuou sua atividade literária. Fundou a "Revista Moderna" (1891) e, em 1892, a "Padaria Espiritual", movimento que acreditava na educação do povo para mudar o país, e publicava o jornal, "O Pão".
Voltou para o Rio de Janeiro em 1893, já com duas filhas e além de trabalhar no Tesouro Federal, escrevia para jornais. No mesmo ano publicou o romance A Normalista, e dois anos depois, publicou O Bom-Crioulo, considerado seu melhor livro.
Em 1896, publicou Tentação, morreu de tuberculose, no ano seguinte, antes dos 30 anos de idade.                                                                       
  • Júlio Ribeiro:
Júlio César Ribeiro Vaughan nasceu em 10 de abril de 1845 na cidade de Sabará (Minas Gerais). Estudou no Colégio Baependiano e na Escola Militar, todavia, não concluiu já que abandonou para dedicar-se ao magistério livre. Faleceu em São Paulo em 1890 com Tuberculose.
Foi professor, jornalista e escritor. Fez parte da Academia Paulista de Letras, fundou e dirigiu o jornal O Sorocabano, porém, como escritor foi muito polêmico, cujo auge foi o livro A carne, que inicialmente escandalizou a sociedade, e é uma obra bem característica do naturalismo (uma pena que não esteja no rol dos livros para o vestibular, logo, poucos estudantes tem acesso a ele), mostrando o naturalismo dentro da sexualdiade, o erotismo ao extremo para a época. Seus ideais eram de cunho abolicionista, anticlerical e defensor da liberdade.
Por sua importância em sua época, foi eleito pela Academia Brasileira de Letras, com o Patronato da Cadeira 24, por escolha de seu primeiro ocupante, Garcia Redondo. Algumas obras de suas obras são: O Padre Belchior de Pontes, A Carne, Traços gerais da linguística,  Gramática Portuguesa,  Holmes brasileiros ou gramática da puerícia, English Grammar,  Questão gramatical,  Cartas sertanejas, Assassinatos na Rua Morgue e Uma polêmica Célebre.


  • Domingos Olímpio:
Domingos Olímpio Braga Cavalcanti nasceu na cidade de Sobral, no estado do Ceará, em 18 de Setembro de 1850 e veio a falecer no Rio de Janeiro, no dia 07 de Outubro de 1906, com 55 anos de idade. Era republicano e abolicionista convicto.
Em 1873 forma-se em Direito pela Faculdade de Recife e retorna ao Ceará, onde foi promotor público. Em 1879 transfere-se para o Pará, onde se dedica à advocacia e ao jornalismo. Em 1891 muda-se para o Rio de Janeiro e como jornalista, escreveu em vários periódicos. Publicou em Os Anais o romance O Almirante e Uirapuru, este último deixando incompleto.
Foi um escritor importante e é patrono da Cadeira Nº 8 da Academia Cearense de Letras. Chegou a se candidatar para a Academia Brasileira de Letras, mas foi derrotado por Mário de Alencar, filho de José de Alencar.
Além de muitos romances, escreveu também peças teatrais, muitas das quais nunca foram encenadas; sua principal obra foi Luzia-Homem, em 1903, um romance que marca a transição entre o regionalismo romântico e o regionalismo realista.


  • Inglês de Souza:
Herculano Marcos Inglês de Sousa fez os primeiros estudos no Pará e no Maranhão. Diplomou-se em direito pela Faculdade de São Paulo, em 1876. Nessa época colaborava com a Revista Nacional, de Ciências, Artes e Letras e militava na Tribuna Liberal. Foi professor da Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros, deputado federal e presidente das províncias de Sergipe e Espírito Santo.
Tornou-se conhecido, como escritor, com O Missionário, de 1891, que, como toda sua obra, revela influência do romance europeu realista e naturalista, principalmente dos autores Eça de Queirós e Emile Zola .
Além de advogado, banqueiro, professor, jornalista e romancista, foi também, contista tendo escrito Contos Amazônicos (1892); também foi membro da Academia Brasileira de Letras.
Outras obras: O Cacaulista (1876); História de um Pescador (1876) e O Coronel Sangrado (1877).


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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Naturalismo






por Anailde Ribeiro
  e Ramona Rocha






Bem, hoje iremos começar a estudar a Escola Literária irmã do Realismo, ou seja, o Naturalismo.

CONTEXTO HISTÓRICO

                O Naturalismo surgiu durante a segunda metade do século XIX, durante o desenvolvimento tecnológico e em meio às idéias de Darwin, Comte e Hippolyte Taine. O primeiro pregava a seleção natural, a qual tem duas características: a constatação de que o ser humano é um animal como outro qualquer e a crença de que a natureza promove um processo de seleção no qual sobrevivem os mais adaptados e os mais fracos são eliminados. O segundo criou o positivismo, que valorizava o saber positivo, colocando as leis cientificas acima do teológico e metafísico. O terceiro era um crítico literário e foi o primeiro a usar o termo determinismo, o qual condicionava socialmente o individuo pela raça, meio e momento.


CARACTERÍSTICAS

Baseados pelas teorias evolucionistas, os naturalistas dedicam-se a análise do coletivo, observando o proletariado para caracterizar o determinismo, dando as suas obras uma perspectiva racional, imparcial e objetiva, junto com o narrador em 3 pessoa; todavia, nessa época existe, ainda, publicações românticas e o público acostumado a essa estética precisavam ser conquistados.
Para Émile Zola, o Naturalismo é uma maneira de colocar a literatura a serviço da medicina experimental, além de acreditar que ao entender o comportamento humano é possível atuar na transformação dos indivíduos para melhoria da sociedade.
A Escola Literária abandona a análise psicológica dos realistas, dedicando-se ao coletivismo com ênfase no proletariado, com o intuito de demonstrar que “o ser humano é fruto do meio em que vive e das pressões que sofre”.
O Naturalismo tem como principais características:

  • Seleção Natural
  • Análise do coletivo
  • Zoomorfização
  • Ciência sobrepondo a religião
  • Determinismo

A estrutura dos romances apresenta personagens que ilustram comportamentos específicos, espaços que mostram o choque de classes sociais. Ademais, romance naturalista descreve personagens submetidos a condições subumanas de vida e trabalho, gerando a animalização do homem.
A linguagem é imparcial, como a dos realistas, do mesmo modo que o narrador em terceira pessoa e o uso de descrições, entretanto, pode dizer que a linguagem dos realistas mostra a ferida, enquanto a dos naturalistas a aperta, a escancara.
Deste modo, o Naturalismo pode ser resumido em três aspectos:


  • Literatura a serviço da ciência
  • Personagens tratadas com olhar crítico
  • Olhar racional e objetivo para a realidade
         Finalmente, apesar de  O Coronel Sangrado, de Inglês de Souza, ter sido publicado em 1877, deste modo, antes de O Mulato, este é considerado o marco do Naturalismo e não aquele, tendo seu autor, Aluísio Azevedo, ser o principal autor naturalista; tendo ainda como autores que se destacaram: Júlio Ribeiro, Adolfo Caminha e Domingo Olímpio, mas, isso é assunto para os próximos posts.

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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Autores Realistas



por Anailde Ribeiro
  e Ramona Rocha





Continuando o estudo sobre o Realismo, vamos conhecer alguns autores e suas obras que se destacaram nesse Movimento Literário:

  •  Machado de Assis:

Sem duvida, o maior autor realista brasileiro, o qual já tratamos no post anterior e por isso vamos nos ater a Quincas Borba, visto já termos abordado Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro.

        Quincas Borba, narra a vida de Pedro Rubião após tornar-se herdeiro universal do filósofo que nomeia a obra, com a condição de cuidar de seu cachorro, homônimo do falecido.

        Essa obra é interessante, pois haver uma intertextualidade com Memórias Póstumas de Brás Cubas, visto Quincas Borba ter morrido na casa do amigo Brás Cubas e os dois aparecerem em ambos os livros.

        Ao receber a herança, Rubião parte para o Ri de Janeiro e na viagem conhece Sofia e Palha, casal que se torna amigo de Rubião, embora este tenha se apaixonado pela dama e Palha preocupar-se mais com a fortuna do “amigo”.

        Ao longo da obra, Rubião apresenta indícios de loucura, sendo comparada a mesma que matou o filósofo, desta forma, louco e explorado, ele volta para sua cidade e morre na miséria, junto ao cachorro.

        Quincas Borba apresenta a teoria do humanistismo, cuja tese foi criada pelo filósofo, e prega que a vida é uma batalha, onde apenas os mais fortes sobrevivem, tendo o livro exemplificado-a com a vida de Rubião, que sendo manipulado pelos mais fortes – Palha e Sofia – termina morrendo. Essa teoria é representada por uma frase que rodeia todo o livro: “Ao vencedor, as batatas”, retirada de uma historia sobre uma tribo que vence outra, na luta pelas batatas.

  • Raul Pompéia:

Autor marcado pela obra O Ateneu, tem como momento marcante de sua vida uma eterna briga com Olavo Bilac, o qual o acusou de homossexual, e culminou com o suicídio de Pompéia, na noite de Natal.

O Ateneu é narrado Sérgio, já adulto, que conta sua estadia no internato que nomeia a obra, de maneira que o microcosmo da escola serve como metáfora para a sociedade em geral, refletindo seus aspectos e hipocrisias, o que pode ser representado pela advertência do pai de Sérgio: "Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu Coragem para a luta".

O colégio era comandado pelo diretor Aristarco, e se no primeiro momento de apresentação é visto como um pai para os alunos, no decorrer da trama revela-se um rei vaidoso, que chega a ter ciúmes de sua representação no busto.

 A obra narra os casos de amizades, a tensão homossexual entre os alunos, a falsidade, a deformação de caráter de uns e representação da figura materna através de D. Ema, mulher do diretor.

Conhecendo a biografia de Raul Pompéia, cuja infância estudou em internato, muitos consideram o livro autobiográfico, e acreditam que o fato do colégio ter sido incendiado, por um de seus alunos, seja uma vingança do autor com seu passado. O Ateneu

Além de Realista, O Ateneu apresenta características impressionistas e expressionistas, a primeira por retratar a partir da perspectiva particular do narrador, isto é, as impressões de Sérgio, e expressionista por os episódios e personagens serem apresentados em formato caricatural, visto o narrador já adulto não contar exatamente como ocorreu algo na sua infância, mas, da forma que ficou na memória, realçando aspectos e características mais marcantes.


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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Realismo



por Anailde Ribeiro
  e Ramona Rocha





Bem, como começamos em grande estilo com Dom Casmurro, do imortal Machado de Assis, vamos estudar a Escola Literária da obra, isto é, o Movimento Realista.

O Realismo foi diretamente influenciado pela Revolução Industrial, logo, toda a desigualdade entre as classes está em ênfase, já que burguesia e proletariado se encontravam em opostos cada vez mais distantes. Além disso, o crescimento das indústrias provocou êxodo rural e as cidades não estavam preparadas para o boom da população, então, surgiram as favelas e as novas doutrinas sociais, com Adam Smith (acreditava no liberalismo econômico e que o Estado não deveria intervir na economia), Thomas Malthus (pregava que a pobreza era uma lei natural) e Marx e Engels (que lançaram o Manifesto Comunista e acreditavam que o a diferença de classes provocaria uma revolução do proletariado e então tudo seria mais igualitário).
No meio de tudo isso, estavam os artistas procurando novas perspectivas da realidade, de modo que a objetividade substituiu o subjetivismo romântico e em vez de dramas individuais, a sociedade e seu comportamento passou a ser enfatizado.
O Realismo no mundo foi inaugurado por Madame Bovary, de Gustave Flaubert, que chocou a sociedade ao narrar a história de Emma Bovary, uma burguesa que entediada torna-se adúltera, de maneira que a falsidade da burguesia é criticada.
Segundo Eça de Queirós, outro importante autor realista, que escreveu entre outros livros O Primo Basílio, esse movimento literário: “É a crítica do homem. É a arte que nos ponta a nossos próprios olhos – parar condenar o que houver de mau na nossa sociedade.”
Portanto as características realistas são:
- Racionalismo e objetividade, a razão toma o lugar da emoção e a objetividade do subjetivismo, afastando-o da idealização romântica.
- Contemporaneidade, os autores se interessam pelo presente, de modo que alguns fatos da época são contados no livro para marcar esse aspecto, como acontece em Dom Casmurro, quando Bentinho encontra o imperador D. Pedro II.
- Materialismo, a busca pela realidade material, a sociedade é o objeto de estudo e não os sentimentos, de maneira que os fatos e comportamentos são analisados.
- Anatomia do caráter, os realistas buscam compreender a raiz dos problemas sociais e procuram na sociedade ao observar seu comportamento, por isso, o interesse pela análise psicológica e uma coerência entre o comportamento do personagem com seu contexto social, cultural, econômico e político.
- Coletividade, o individualismo é substituído pelo interesse coletivo, para formar um retrato da sociedade da época.
- Descrição, há ênfase na descrição por duas maneiras: as cenas são descritas em seus pormenores para que o leitor forme seu juízo do que foi lido e para gerar uma “sensação” o mais real possível.
Assim, podemos resumir o Realismo em três aspectos:
- Representação da realidade que permita denunciar aspectos negativos da sociedade;
- Olhar mais racional, objetivo e crítico;
- Temas de interesse coletivo (adultério, opressão, corrupção, etc);
Já no Brasil, o Realismo se apresenta na época do fim do tráfico negreiro e a decadência da sociedade escravocrata e da economia açucareira, além da Guerra do Paraguai, de forma que os brasileiros anseiam de novos pontos de vista sobre a sociedade.
O maior realista brasileiro, sem dúvida, é Machado de Assis, que anteriormente romântico, inaugurou o Realismo com Memórias Póstumas de Brás Cubas, um livro escrito por um defunto que entediado de sua vida pós-morte resolve narrar sua existência, enquanto critica a sociedade em que vivera, culminando com a conclusão: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”, além dessa obra, ele, ainda, escreveu, o já analisado, Dom Casmurro e Quincas Borba, cuja obra tem ligação com Memórias Póstumas, e contos.
Além de possuir uma escrita única, Machado era um observador da alma humana, suas obras realistas não escancaram a mediocridade e a hipocrisia, como Eça de Queirós que concretizou o adultério de Luísa com Basílio, ele utiliza a ironia, fugindo da crítica direta e provocando um diálogo com o leitor, para que este durante sua leitura analise junto com o narrador o retrato de sua própria miséria humana.



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